sábado, 26 de junho de 2010

Hoje Não Quero

Hoje não quero ver o tempo no relógio
Não quero escutar a voz da apresentadora de jornal
Não quero escutar rádio nem palavras
Não quero música agitada nem lenta demais
Quero a minha face refletida no espelho
Quero meu caderno de poesias
Meus rabiscos e lá fora
Quero ver os chuviscos
Prévia da chuva
Quero a tristeza para que eu possa entender
E o sorriso para que possa escrever aquelas palavras
Que ficam no fundo
Quase que soterradas , mas atônitas para saírem
Elas querem ser faladas, escritas, lidas e sentidas
Querem minha língua, minhas mãos
E um abrigo no coração de quem as possa ouvir.
Hoje não quero ninguém perto de mim
Quero conversar com o silêncio
Quero solidão
Quero meus sonhos e objetivos
Transformá-los, remendá-los, refazê-los e senti-los
Quero tudo
Menos o que se possa tocar
Não quero o nada
Nem meus desejos quero saciar
Quero morrer
Para nascer de novo
Dentro de mim
E assim poder escutar o barulho do relógio
E a apresentadora de televisão
Encarar o tempo do mundo e poder modificá-lo
Em silêncio, sem ninguém saber
Ser a metamorfose que sempre fui
Ao menos do corpo para fora
Porque da alma para dentro
Sou indefinível, mas me contento em me definir como Amor.

Um comentário: