quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amar

“Ame sem medo do verbo
Sem medo do sucesso
Sem medo de errar.

Ame para viver
Para sorrir
Para reconhecer
Na simplicidade das palavras
Num simples olhar, você.

Ame para chorar de alegria
Para entender o sentido da vida
Sem pretensão de saber amar
Ame apenas para entender
Que dentro de si há amor “

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Filosofia

Cada palavra que escrevo é na verdade parte de minha alma
É uma lágrima que em algum momento não caiu
É meu refúgio, meu castelo, minha ilusão, meu real.
O brasão fotografado em meus olhos
Busca no mundo as ilusões das quais quero me desfazer
Quero queimá-las e dissipá-las
E minhas mãos serão o veículo
A caneta, minha espada
O pensamento, minha maior arma
Meu corpo, o intermédio
Entre a ilusão e o real
Entre o corrompido e o natural
Entre a ignorância e o mundo das idéias
Entre a coragem e o medo
Entre mim e o mundo.
Peço que a música toque
Que os boêmios não parem de sorrir
Que os pensadores não parem de refletir
Quero tudo no lugar
Para que, assim, possa sumir
Sem ao menos ser notado
E analisar à distância e com precisão
Todo o tumulto e calmaria
Refazer-me e retornar à terra
Os pés ao chão e a cabeça no inexplicável
Com idéias fixas e palavras exatas
Assim, poderei escrever com tudo o que me resta e mais
Com tudo o que tenho
Desta forma me doarei ao mundo
E darei ao próximo
Talvez não o que ele precise, mas, com certeza, o máximo que tenho para dar.

O Próximo

O próximo é outra face
É uma fase transitória
Entre a Luz e a escuridão
É a fome e o pão
Amor personificado.
O próximo é o outro
É a companhia e a solidão
É o negro, o branco e o mestiço.
Imperfeita imperfeição.
O próximo é seu problema e sua solução
Sua felicidade e desilusão
É quem você queria ser
E o que você mais despreza.
O próximo é seu espelho
Não é seu juiz, muito menos réu
É uma parte sua longe do que você diz ser seu.

sábado, 26 de junho de 2010

Auto Fidelidade

O sutil deixo para a delicadeza
Ela o compreende melhor
A solidão me parece mais agradável
E a propósito, entendo solidão como a presença
Do abstrato em sua maior intensidade
Como algo exato e preciso, ele nunca erra
Eu que sou vacilante.
E nessa solidão entendi:
Que muito do que penso não é meu
Está em mim
Nem tudo o que sei aprendi
Nem tudo por que passei vivi
Nem tudo o que chorei tem a proeminência de meu sofrer
No entanto quando o encontro comigo parece impossível
O frio da incompreensão vem me abater
De todas as portas de minha vida
A chave sempre esteve dentro de mim
Então procuro um espelho, quero lembrar de mim
Só vejo os outros, só escuto os outros
Não sou eu.
Devo lembrar! Devo lembrar... ! É perigoso, não posso me esquecer
Falta amor! Falta meu próprio amor!
Não posso passar um segundo sem me sentir
Sem escutar minha própria voz
Minha própria música
Meu próprio verbo
Viver meu livre arbítrio
Não vivê-lo seria minha maior transgressão
Já que assim “trairia” não o mundo,
Mas a mim.

Diálogo Consigo

Posso apagar as palavras ditas?!
Posso enxugar as lágrimas sofridas?!
E as feridas?! Posso Fechá-las?!

Posso parar o mundo e fazê-lo girar mais rápido?!
E se eu quiser ser criança mesmo em corpo de homem?!
O que me impede de ser um deus?!
O que me impede de ser ateu?!
O que me impede?! A não ser eu?!

Os números podem ser relativos?!
E as pessoas podem ser humanas?!
Por que não há espelho que reflita a alma?!
Por que a beleza está no silêncio?!
E o verdadeiro silêncio é o fechar dos olhos?!

Por que não consigo achar respostas para tantas perguntas?!
- Porque você não olha para dentro de si.

Não Sou Tão Anormal

Quero a metalingüística
A crítica impiedosa e imparcial
A análise perfeita
Sobre política e jornal
Quero o mundo em minhas mãos
Enxergar cada detalhe
Quero a vida e a morte
O azar e a sorte
Quero viver
Cada segundo
Como se fosse o último

Espelho

Sou fogueira que precisa de lenha
Sou mar que precisa de gota
Sou carbono procurando um pulmão
Sou amor personificado em imperfeição
Um ato, um verbo
Uma queda, um beijo
Indivíduo
Um sonho...
Poeta de mim
Assim, sem querer
Apenas para ser
Sou metamorfose
A definição
O sensato, o erro
O meio, o elo
Da discórdia à união
Da injúria ao perdão
Do ódio ao amor
Todavia não juiz
Nem júri
Nesse palco sou ator
Sou platéia
Sou cortina, sou cadeira
Sou idéia
Sou tudo o que você quiser
Sem deixar de ser eu.