sábado, 8 de maio de 2010

Até Quando?

Sou ilha sem ponte, sem navio, sem barco.
Eu não sei, nem ouso nadar.
Não tenho como enfrentar o mar.
Eu continuo só. Continuo só... Do lado de cá.
Até quando,Deus meu?
Sinto hoje que Você não me fez para prisão e o isolamento.
Nem para rejeição ou abandono.
Então destranca-me Senhor.! Já não suporto mais essa Prisão.
Caminho entre as pessoas, devagar vou me afastando...
Escapando à multidão e aos olhares curiosos.
Não quero ser observada.
Algo dentro de mim me ameaça, me inibe e me leva a introverter-me.
Fecho as portas de entrada e as de saída...
Me esquivo, não falo... Apenas olho.
E o que pelos olhos entra em mim vai descendo pelas veias galgando o coração em mente que quer explodir!
Por um lado me faltam lábios, por outro me sobram olhos,
que me aumentam a agonia e os anseios os quais não entrego...
Nem posso entregar a ninguém!
Na verdade não falo com ninguém apenas comigo mesma.
Ouço de mim mesma.
Enquanto caminho em meu "Universo" trancado, onde ninguém entra nem conhece..
A não ser Deus

-Janah-

Franqueza

Seria tão bom sair por aquela porta e conhecer alguém
Sem precisar procurar no meio da multidão.
Alguém que soubesse se aproximar sem ser invasivo ou que não se esforçasse tanto
para parecer interessante.
Alguém de quem eu não quisesse fugir quando a intimidade derrubasse nossas máscaras
Que segurasse minha mão e tocasse meu coração.
Que não me prendesse, não me limitasse, não me mudasse.
Alguém que me roubasse um beijo no meio de uma briga e me
tirasse a razão sem que isso me ameaçasse.
Que me dissesse que eu canto mal, que eu falo demais e que risse das vezes em que eu fosse desastrada.
Alguém de quem eu não precisasse...
Mas com quem eu quisesse estar sem motivo
certo.
Alguém com qualidades e defeitos suportáveis, que não fosse
tão bonito e ainda assim eu não conseguisse olhar em outra
direção.
Que me encontrasse até quando eu tento desesperadamente me
esconder do mundo.
Eu queria sair por
aquela porta e conhecer alguém
imperfeito, mas feito pra mim.

- Janah -

Chama

Isso não se trata mais de mim e você
Como nunca foi
Trata-se de nossas vidas
Cada um do seu lado
No seu barco
Navegando em direções contrárias
Indo para onde o vento levar
Estamos assim
Esse é o nosso mundo
Separado e quebrado
Você com suas vivências
E eu com minhas poesias românticas
Você sem se preocupar em estar perto
Eu mantendo distância
Pois que era incerto
O que sairia de sua boca
Quem te deixaria louca
Só não queria escutar seus erros
Seus apelos para um outro alguém
Eu não era esse alguém
Eu também tenho coração
Que bate e ama
Que cala e chama
Que queima na chama da paixão

domingo, 4 de abril de 2010

Diário De Bordo

Sei que possuo um lado romântico, sonhador
No entanto, esforço-me em negá-lo, repreendê-lo
Como se fosse o único modo de usá-lo corretamente
Assim estaria sujeito a um raciocínio lógico
Não instintivo
Sei que meu silencio alivia minhas mágoas
E não me faz secar
Olho-me no espelho e pergunto:" o que há comigo?
Parece que estou desistindo de mim
Penso que agora poderia estar sorrindo, aliviado,
Mas estou preso
Escondendo algo que quer sair.
Silencio... Poderia já ter te falado
Quem sabe não me sentisse melhor?
Entretanto estou a pensar
Desculpe, esse é o meu jeito
E acredito que você pode entendê-lo
Por vezes esqueço-me das coisas
Ignoro o mundo
Procuro ser profundo, viajando em mim
Desperdiçando tempo, assim penso
Sei que deveria agir,
Nego-me a fazer algo por desespero
Pretendo ser preciso e com tal zelo
A esperar de meu gesto o sucesso
Talvez precise de um pouco mais de fé
Não posso esperar sua posição
Pois sei que você não vai esperar tanto assim
Muitas pessoas não me entendem,
Talvez eu não as entenda
Não importa!
Conquanto que você me entenda no fim.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Lucidez

Que minha lucidez seja minha luz
Que meus passos, ainda que pequenos, sejam firmes
E fortes o suficiente para suportar
Os tremores advindos de mim
Que minha vaidade não se expanda
Para que eu possa ser simples
E enxergar o que se pode apenas sentir
Que meus olhos vejam o que ninguém vê
À medida que meus princípios se tornem dignos de suportar e entender
Os segredos que muitos tentam desvendar
Que minhas dúvidas me guiem para a certeza
E que esta seja a singularidade necessária para que escolha minha terra,a palavra certa, as companhias e uma direção
Que eu seja sutil
Para sentir a vida em suas nuanças
E te entender cada vez mais
E que minha ousadia não se faça ausente
Que meu romantismo se faça presente
E intenso de tal forme que te conquiste as emoções
Assim como peço que não finjas ou fujas
Que não chores ou sofras
Mas que sorrias
E que, a qualquer momento, ao precisares, cá estarei
Levantando-te das quedas
Afagando-te o coração
Em dias de frio, esquentando-te as mãos
Dando a ti o melhor de mim
E ao necessitar de colo
Correrei a teu abraço
A teus cabelos, teu sorriso
Desaguarei todo o cansaço
As tristezas e nostalgias
Pois que confio em ti
Confia em mim
Segura minha mão e te levarei
Pedes um abraço
Dar-te-ei proteção
Pedes um afago
O farei de coração
Mas se me pedires uma palavra
Silenciarei
Pois o que tenho a te dizer
Não o digo em palavras
Mas em tudo o que fiz e faço
Resume-se a meus atos
Resume-se em amor

Dê-me

Dê-me uma dose de egoísmo
Com um uma pitada de lirismo
Sentir o sangue nordestino
A sensibilidade literária
O olhar de pensador
Dê-me um toque de ceticismo
E estarei pronto para reconhecer minha cegueira
Dê-me o que queres me dar
Só não te esqueces, por favor
De me dar com amor

domingo, 28 de março de 2010

Suspeita

Gosto de admirar a felicidade alheia
O sorriso no olhar das pessoas
Os fortes abraços
As profundas amizades
As famílias imperfeitas
Religiões e seitas
As promessas de fidelidade
As juras de amor
Os heróis...Tudo me fascina, me constrói
No entanto, sinto uma parte vazia
Algo que me foge
Que ao mínimo esforço me desconserta
Consome, e domina
Algo que me queima a alma
Me resume em segundos
a momentos profundos de " tudo-que-não-sei "
Aprenseta-se de forma tão intensa
Que é impossível passar despercebido sem deixar
No mínimo, uma cicatriz
Então fecho os olhos
A fim de encontrar
A causa desse súbito impulso de emoção,
Afinal vem lá de dentro,
É bem profundo...
Mas quando fecho os olhos encontro os seus
Ao me envolver em meus braços
A fim de sentir de me sentir seguro
Sinto teu corpo a abraçar o meu
E desabrocho, em um choro silencioso
Deixo-me levar
Pelo suposto calor de nossos corpos entrelaçados
Pelo poder dos teus olhos a me fitar
A tua presença rente a minha
A lembrança dos súbitos momentos
Que de fato vivemos
Teus poucos abraços
E me conforto...
Momentaneamente desencontrado
Acordo!
Com a leve impressão que descobri o motivo do meu vazio