Existem pessoas que lhe marcam sem que você queira
De tal forma que as impressões atêm-se no coração
Digo mais, na alma.
Os sorrisos nunca são deixados para traz
Por vezes a vida resolveu apenas dar um tempo para os dois
Mas bem que é verdade que quando tem que ser é!
E não há força humana capaz de confrontar tal ponto
É algo divino, invisível, onipresente, inexplicável
Não vejo outra explicação racional.
Parece que existe uma comunicação alma a alma
E palavras são poucas para exprimirem
Quem dera
Os olhares transformam-se em oradores precisos.
Não há tempo que cure a saudade
Mesmo porque no tempo podemos encontrar as respostas
Mas é do amor que elas são escritas.
De fato, saber que um ser está, depois de tanto tempo, presente em sua alma
Não se explica
Apenas se sente, se amadurece e se vive.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Ana, Maria, Mariana
Chovia. Pela janela de seu quarto via correr os pingos juntando-se uns aos outros, quando não caindo apressadamente como se fossem nascer.
- Gametas masculinos procurando um óvulo.
Pensava dos pingos que desciam desesperadamente. Ao menos pensava. Solidão era a palavra certa para definir o momento.
- Meus pensamentos, a chuva e o quarto.
Dizia incessantemente para si, de tal forma que ecoava em sua mente. Passaram-se segundos, minutos, horas e não parava de pensar, de analisar o que estava a sua volta. Procurava a essência da vida sem ao menos saber viver, sem saber rir, sem saber chorar, sem sair do canto, só sabia sentir. Em seu peito a maior angústia era não conseguir falar o que lhe gritava o coração, a porta estava a cinco passos, havia pessoas na casa, poderia conversar com elas, ligar para alguém, comer algo, mas não, deu meia volta e se deitou na cama olhando dessa vez para o céu chuvoso carregado de nuvens que tornavam a natureza lutuosa. Parecia que tudo aquilo era solitário, mas apenas parecia.
Sua mente continuava a raciocinar, mas desta vez não era apenas em seus pensamentos, na chuva e no quarto, mas também nas mãos e nos próprios olhos. Ainda repousando sobre a cama colocara a mão esquerda sobre a testa fechando os olhos ao passo que a mão descia. Com a outra mão abriu os botões da roupa habilmente até o nível do diafragma.
- Sobraram apenas três botões.
Falara como que por impulso para si na tentativa de expressar, ao menos, o mais simples de seus pensamentos. Assim continuou, mas agora acariciando a região que compreende o esterno com seu dedo anelar direito.
- Que seria de mim sem minhas mãos? Sem meus pensamentos? O que seria do mundo sem meus olhos? Ou deveria perguntar o que seria de meus olhos sem o mundo? E o que seria do mundo sem a chuva? Para onde iria o vento que nesse momento adentra meu quarto? Não sou Deus.
Levantou-se de forma lenta e gradualmente caminhou até o que julgava ser o seu recanto: Uma mesa iluminada por uma luminária de luz suave e controlável com uns livros abertos e outros fechados. Arrasta a cadeira fazendo um barulho mínimo, abafado, devido ao carpete e senta-se com o olhar sereno e fixo para um caderno de capa dura azul a sua direita. Toca-o suavemente e depois desiste, desabotoa os três botões restantes e suspira, dessa vez olhando para cima. Os olhos azuis aparentavam estar perdidos olhando para o infinito composto pelo vazio, sua boca entreaberta parecia necessitar de vida, sua face de um beijo, seu corpo de um toque, suas mãos, estas não aparentavam, precisavam escrever.
Tocou o caderno novamente de forma suave como sempre, mas desta vez tomando para si, abrindo-o a fazia pensar que estava abrindo sua própria alma, ali estavam todas as respostas para suas dúvidas, estavam suas palavras escritas, seus pensamentos de alguma forma materializados, seus textos e poesias, estava seu alívio, seu juiz e seu perdão. Então com uma caneta em mãos começa a escrever o que o corpo consegue absorver da mente, fogem algumas palavras pensadas, idéias brilhantes. Ana escreve com razão, como Boileau, procura o equilíbrio, o bom senso, a liberdade.
“A liberdade não se compõe de exageros
Muito menos de permissão
Não é feita pela boca
Apenas falada pelo coração...
A liberdade não se resume à atitude
Pois que esta pode ser manipulada
A liberdade não se encontra em livros
Nem em teorias
A liberdade não se define por completo
Alguns exemplificam como o livre arbítrio
Atrevo-me a dizer que existe em apenas um lugar
Em meu pensamento
Sou o que penso, sou livre, sou Ana, logo, sou liberdade “
- Sou liberdade, sou liberdade, sou Ana, sou liberdade.
Repetia para si. Parou, pensou, levantou os olhos e suspirou. Lentamente ganhava mais ânimo, lembrava das palavras, algo não a deixava parar, precisava escrever, precisava expressar o que estava preso e solto simultaneamente, pois que sua mente vivia um estado o qual não se pode dizer nem mesmo espiritual, parecia que não estava em si. O corpo sim, mas a mente não, esta funcionava como uma caixa receptora do que Platão diria ser o mundo das idéias e as idéias apenas vinham e chegavam de cima para baixo, até que o fluxo do peito superou qualquer outro existente. Fechava os olhos a fim de ser o mais fiel possível ao que estava prestes a escrever, mas sabia de antemão que por melhor que fosse o poeta não conseguiria ser fiel em totalidade ao seu sentimento, sabia que as palavras eram apenas pontes e o seu texto o plano semimaterial de transição entre o concreto e o abstrato, dessa vez, apenas sentiu.
“O amor não dói porque não é ferida
O amor não mata porque não tem essa intenção
O amor fala em silêncio, não quer ser notícia
O amor é amor sem nenhuma pretensão
E sendo por si só já é demais
Além da filosofia
Platão que me perdoe
Mas amor não se define,
Dele nem sequer se fala
Apenas se sente
Como se sente o nada
Eu, Maria, sinto
Sem medo de sentir
Eu, Maria, amo
Sem medo de amar
Eu, Maria, sou, Maria que não tem medo de sentir nem de amar, porque sou, também, amor. “
- Sou o que sinto, e o que sinto é amor. Que esta lágrima que me corre o rosto prove para os que precisam de olhos para enxergar.
Uma sensação estranha tomava conta de Ana Maria. E ela não contava a ninguém, queria um abraço, por que não? Afinal era humana. Mas algo a deixava presa a cadeira e á caneta, algo dentro dela necessitava daquilo. Ela era amor, e como amor deveria amar, manifestar-se. Banhada de sentimentos sem outro coração ao lado para compartilhar, lágrimas caindo dos olhos sem ninguém para enxugá-las, não havia, sequer, um ser humano que fosse humano suficiente para entendê-la naquele momento, nem em casa, do outro lado da linha, nem na rua. Havia apenas a suposta solidão e agora o seu choro compulsivo, aparentemente triste e desolado. Sua mão esquerda fechava suavemente, seus pés contorciam-se, suas pernas atritavam-se como que estivesse com frio, e estava. Levantou-se, fechou a janela, já passavam das 10:00. Olhou-se no espelho rapidamente por questão de vaidade, notou os cabelos presos e os soltou, seria um crime não soltá-los da mesma forma que é um crime inibir o belo de se manifestar. Seus longos cabelos loiros, caíam sobre seus ombros perfeitamente assim como a água se adéqua a qualquer recipiente, seus olhos azuis brilhavam de forma serena em meio as lágrimas as quais ainda molhando-lhe o rosto expressavam seu amor. Seu corpo coberto por uma blusa branca de botões desabotoada, um short de tecido fino azul, descalça. Segura, então, os cabelos no movimento que vai da testa ao centro da cabeça e pára. Os fios de cabelo por dentre os dedos a fazem pensar, e agora o pensamento supera o que a prendia na cadeira.
- Meus dedos têm uns aos outros, meu cabelo é formado por vários fios e agora devido a um movimento meu ambos se tocam formando um só cabelo, ou uma só mão. Aprendi que isso é companhia, se já sei o que é companhia, o que seria solidão?
Olhou em volta procurando a solidão, até então deveria notar a sua volta, sem ninguém, o céu chuvoso, o quarto pouco iluminado, sozinha... Mas não, para ela aquilo não era solidão. Olhou-se novamente no espelho e sorriu, um sorriso sincero como quem se acha no meio do nada, dessa vez calmamente andou para a mesa parecendo que os pensamentos estavam todos organizados e sentou-se, como se fosse um ritual olhou para cima com os olhos aparentemente perdidos, a boca entreaberta e suspirou. Tomou a caneta na mão e tornou a escrever, mas desta vez não de liberdade ou amor, de solidão.
“Solidão não é a ausência de companhia
Muito menos outro nome para a tristeza
Solidão é o que sinto agora
Como se fizesse parte de minha natureza
Solidão não é o perdido, muito menos o vazio
Solidão não é um ser sem abrigo
Com frio...
Solidão é a presença do abstrato em maior quantidade que o material
É o encontro consigo mesmo em um outro plano dimensional
Que de tão perto, torna-se distante
Solidão não é a procura pela própria alma
Mas o seu encontrar
Solidão é saber quem você é
E o que está fazendo aqui
É a manifestação do silêncio em sua máxima
Buda que me corrobore
É algo que contempla o amor
Que vai além da morte...
Solidão é o que sou
É o que calo
Eu, Mariana, sou solidão
Sozinha e sem medo de ser só, então“
E repetiu novamente emocionada:
- Sou solidão, eu Mariana.
Já sabia, agora, o que era amor, liberdade e solidão. Por mais que parecesse triste encontrava-se intimamente em êxtase. Olhou para o livro e o fechou. Levantou da cadeira, apagou a luminária, e desligou, por fim, a luz do quarto, ainda chovia, deitou-se com um sorriso não no rosto, mas na alma, já que vivera intensamente, para ela, a vida, dentro de seu quarto sem ninguém. Cobriu-se e por último questionou como quem quer apenas corroborar.
- Quem sou?
Os olhos fechavam suavemente, seu corpo aquecido por um lençol e pela forma com que seu corpo se aprumava na cama, tudo influenciava para que ela concluísse, novamente, quem era.
- Sou Ana Maria Mariana, liberdade, amor e solidão
O que penso o que sinto e o que calo
Não sou Cecília, não sou triste
Sou o poder de minhas mãos
Ainda que julgada erradamente sei
Que sou transformação
E um dia mostrarei
Que a verdadeira felicidade não se encontra no puro concreto
Mas sim no abstrato, na solidão.
Por isso, digo de peito cheio, sou feliz!
- Gametas masculinos procurando um óvulo.
Pensava dos pingos que desciam desesperadamente. Ao menos pensava. Solidão era a palavra certa para definir o momento.
- Meus pensamentos, a chuva e o quarto.
Dizia incessantemente para si, de tal forma que ecoava em sua mente. Passaram-se segundos, minutos, horas e não parava de pensar, de analisar o que estava a sua volta. Procurava a essência da vida sem ao menos saber viver, sem saber rir, sem saber chorar, sem sair do canto, só sabia sentir. Em seu peito a maior angústia era não conseguir falar o que lhe gritava o coração, a porta estava a cinco passos, havia pessoas na casa, poderia conversar com elas, ligar para alguém, comer algo, mas não, deu meia volta e se deitou na cama olhando dessa vez para o céu chuvoso carregado de nuvens que tornavam a natureza lutuosa. Parecia que tudo aquilo era solitário, mas apenas parecia.
Sua mente continuava a raciocinar, mas desta vez não era apenas em seus pensamentos, na chuva e no quarto, mas também nas mãos e nos próprios olhos. Ainda repousando sobre a cama colocara a mão esquerda sobre a testa fechando os olhos ao passo que a mão descia. Com a outra mão abriu os botões da roupa habilmente até o nível do diafragma.
- Sobraram apenas três botões.
Falara como que por impulso para si na tentativa de expressar, ao menos, o mais simples de seus pensamentos. Assim continuou, mas agora acariciando a região que compreende o esterno com seu dedo anelar direito.
- Que seria de mim sem minhas mãos? Sem meus pensamentos? O que seria do mundo sem meus olhos? Ou deveria perguntar o que seria de meus olhos sem o mundo? E o que seria do mundo sem a chuva? Para onde iria o vento que nesse momento adentra meu quarto? Não sou Deus.
Levantou-se de forma lenta e gradualmente caminhou até o que julgava ser o seu recanto: Uma mesa iluminada por uma luminária de luz suave e controlável com uns livros abertos e outros fechados. Arrasta a cadeira fazendo um barulho mínimo, abafado, devido ao carpete e senta-se com o olhar sereno e fixo para um caderno de capa dura azul a sua direita. Toca-o suavemente e depois desiste, desabotoa os três botões restantes e suspira, dessa vez olhando para cima. Os olhos azuis aparentavam estar perdidos olhando para o infinito composto pelo vazio, sua boca entreaberta parecia necessitar de vida, sua face de um beijo, seu corpo de um toque, suas mãos, estas não aparentavam, precisavam escrever.
Tocou o caderno novamente de forma suave como sempre, mas desta vez tomando para si, abrindo-o a fazia pensar que estava abrindo sua própria alma, ali estavam todas as respostas para suas dúvidas, estavam suas palavras escritas, seus pensamentos de alguma forma materializados, seus textos e poesias, estava seu alívio, seu juiz e seu perdão. Então com uma caneta em mãos começa a escrever o que o corpo consegue absorver da mente, fogem algumas palavras pensadas, idéias brilhantes. Ana escreve com razão, como Boileau, procura o equilíbrio, o bom senso, a liberdade.
“A liberdade não se compõe de exageros
Muito menos de permissão
Não é feita pela boca
Apenas falada pelo coração...
A liberdade não se resume à atitude
Pois que esta pode ser manipulada
A liberdade não se encontra em livros
Nem em teorias
A liberdade não se define por completo
Alguns exemplificam como o livre arbítrio
Atrevo-me a dizer que existe em apenas um lugar
Em meu pensamento
Sou o que penso, sou livre, sou Ana, logo, sou liberdade “
- Sou liberdade, sou liberdade, sou Ana, sou liberdade.
Repetia para si. Parou, pensou, levantou os olhos e suspirou. Lentamente ganhava mais ânimo, lembrava das palavras, algo não a deixava parar, precisava escrever, precisava expressar o que estava preso e solto simultaneamente, pois que sua mente vivia um estado o qual não se pode dizer nem mesmo espiritual, parecia que não estava em si. O corpo sim, mas a mente não, esta funcionava como uma caixa receptora do que Platão diria ser o mundo das idéias e as idéias apenas vinham e chegavam de cima para baixo, até que o fluxo do peito superou qualquer outro existente. Fechava os olhos a fim de ser o mais fiel possível ao que estava prestes a escrever, mas sabia de antemão que por melhor que fosse o poeta não conseguiria ser fiel em totalidade ao seu sentimento, sabia que as palavras eram apenas pontes e o seu texto o plano semimaterial de transição entre o concreto e o abstrato, dessa vez, apenas sentiu.
“O amor não dói porque não é ferida
O amor não mata porque não tem essa intenção
O amor fala em silêncio, não quer ser notícia
O amor é amor sem nenhuma pretensão
E sendo por si só já é demais
Além da filosofia
Platão que me perdoe
Mas amor não se define,
Dele nem sequer se fala
Apenas se sente
Como se sente o nada
Eu, Maria, sinto
Sem medo de sentir
Eu, Maria, amo
Sem medo de amar
Eu, Maria, sou, Maria que não tem medo de sentir nem de amar, porque sou, também, amor. “
- Sou o que sinto, e o que sinto é amor. Que esta lágrima que me corre o rosto prove para os que precisam de olhos para enxergar.
Uma sensação estranha tomava conta de Ana Maria. E ela não contava a ninguém, queria um abraço, por que não? Afinal era humana. Mas algo a deixava presa a cadeira e á caneta, algo dentro dela necessitava daquilo. Ela era amor, e como amor deveria amar, manifestar-se. Banhada de sentimentos sem outro coração ao lado para compartilhar, lágrimas caindo dos olhos sem ninguém para enxugá-las, não havia, sequer, um ser humano que fosse humano suficiente para entendê-la naquele momento, nem em casa, do outro lado da linha, nem na rua. Havia apenas a suposta solidão e agora o seu choro compulsivo, aparentemente triste e desolado. Sua mão esquerda fechava suavemente, seus pés contorciam-se, suas pernas atritavam-se como que estivesse com frio, e estava. Levantou-se, fechou a janela, já passavam das 10:00. Olhou-se no espelho rapidamente por questão de vaidade, notou os cabelos presos e os soltou, seria um crime não soltá-los da mesma forma que é um crime inibir o belo de se manifestar. Seus longos cabelos loiros, caíam sobre seus ombros perfeitamente assim como a água se adéqua a qualquer recipiente, seus olhos azuis brilhavam de forma serena em meio as lágrimas as quais ainda molhando-lhe o rosto expressavam seu amor. Seu corpo coberto por uma blusa branca de botões desabotoada, um short de tecido fino azul, descalça. Segura, então, os cabelos no movimento que vai da testa ao centro da cabeça e pára. Os fios de cabelo por dentre os dedos a fazem pensar, e agora o pensamento supera o que a prendia na cadeira.
- Meus dedos têm uns aos outros, meu cabelo é formado por vários fios e agora devido a um movimento meu ambos se tocam formando um só cabelo, ou uma só mão. Aprendi que isso é companhia, se já sei o que é companhia, o que seria solidão?
Olhou em volta procurando a solidão, até então deveria notar a sua volta, sem ninguém, o céu chuvoso, o quarto pouco iluminado, sozinha... Mas não, para ela aquilo não era solidão. Olhou-se novamente no espelho e sorriu, um sorriso sincero como quem se acha no meio do nada, dessa vez calmamente andou para a mesa parecendo que os pensamentos estavam todos organizados e sentou-se, como se fosse um ritual olhou para cima com os olhos aparentemente perdidos, a boca entreaberta e suspirou. Tomou a caneta na mão e tornou a escrever, mas desta vez não de liberdade ou amor, de solidão.
“Solidão não é a ausência de companhia
Muito menos outro nome para a tristeza
Solidão é o que sinto agora
Como se fizesse parte de minha natureza
Solidão não é o perdido, muito menos o vazio
Solidão não é um ser sem abrigo
Com frio...
Solidão é a presença do abstrato em maior quantidade que o material
É o encontro consigo mesmo em um outro plano dimensional
Que de tão perto, torna-se distante
Solidão não é a procura pela própria alma
Mas o seu encontrar
Solidão é saber quem você é
E o que está fazendo aqui
É a manifestação do silêncio em sua máxima
Buda que me corrobore
É algo que contempla o amor
Que vai além da morte...
Solidão é o que sou
É o que calo
Eu, Mariana, sou solidão
Sozinha e sem medo de ser só, então“
E repetiu novamente emocionada:
- Sou solidão, eu Mariana.
Já sabia, agora, o que era amor, liberdade e solidão. Por mais que parecesse triste encontrava-se intimamente em êxtase. Olhou para o livro e o fechou. Levantou da cadeira, apagou a luminária, e desligou, por fim, a luz do quarto, ainda chovia, deitou-se com um sorriso não no rosto, mas na alma, já que vivera intensamente, para ela, a vida, dentro de seu quarto sem ninguém. Cobriu-se e por último questionou como quem quer apenas corroborar.
- Quem sou?
Os olhos fechavam suavemente, seu corpo aquecido por um lençol e pela forma com que seu corpo se aprumava na cama, tudo influenciava para que ela concluísse, novamente, quem era.
- Sou Ana Maria Mariana, liberdade, amor e solidão
O que penso o que sinto e o que calo
Não sou Cecília, não sou triste
Sou o poder de minhas mãos
Ainda que julgada erradamente sei
Que sou transformação
E um dia mostrarei
Que a verdadeira felicidade não se encontra no puro concreto
Mas sim no abstrato, na solidão.
Por isso, digo de peito cheio, sou feliz!
A Poesia e Eu
A expressão vem de dentro
Aflora à pele e modifica o modo
Com que se mostra o intento
De tal forma que não há letra sequer que eu não tenha escrito
A qual não possua parte de meu ser
Por mais que quisesse ser distante
Antes de tudo sou pensante
E amante do sentir
Não separo o texto de mim
Ainda que este não me seja fiel
Ainda que as palavras não me sejam fieis
Não me nego a apagar-me para que ele se acenda
Não me nego a suportar a parcial incompreensão
Pois que poesia não se mede
Não se lê, não se concebe
Apenas se sente; e se entende.
Aflora à pele e modifica o modo
Com que se mostra o intento
De tal forma que não há letra sequer que eu não tenha escrito
A qual não possua parte de meu ser
Por mais que quisesse ser distante
Antes de tudo sou pensante
E amante do sentir
Não separo o texto de mim
Ainda que este não me seja fiel
Ainda que as palavras não me sejam fieis
Não me nego a apagar-me para que ele se acenda
Não me nego a suportar a parcial incompreensão
Pois que poesia não se mede
Não se lê, não se concebe
Apenas se sente; e se entende.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Passado
Muitas vezes olhar para o que se escreveu é olhar para o que deve ser esquecido
E o papel em branco, aquele que não se dava à mínima é o que você mais se agarra
E vibra com a possibilidade de, ali, escrever algo novo
Renovar-te.
Não se pode olhar para o passado quando se vê o futuro
Tenha forças para dizer não a si
E também dizer sim
Não negue o seu passado, ele faz parte de você
Apenas aceite seu futuro de braços abertos.
Não tenha medo de mudar, não tenha medo de ser feliz.
Não olhe para trás se não for para aprender e ver que hoje você é o que você quis.
E o papel em branco, aquele que não se dava à mínima é o que você mais se agarra
E vibra com a possibilidade de, ali, escrever algo novo
Renovar-te.
Não se pode olhar para o passado quando se vê o futuro
Tenha forças para dizer não a si
E também dizer sim
Não negue o seu passado, ele faz parte de você
Apenas aceite seu futuro de braços abertos.
Não tenha medo de mudar, não tenha medo de ser feliz.
Não olhe para trás se não for para aprender e ver que hoje você é o que você quis.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Confesso
Confesso que por minha covardia o meu maior esforço seria não me importar
Entretanto, peça-me outra coisa, essa não farei.
Quem dera ser indiferente, como outrora fora
Não lhe quero para mim, quero-lhe bem.
E pode até parecer loucura, mas penso ser eu o melhor para você
De tal forma a não tentar me mudar de modo algum, pois já penso, certo ou errado, que sou o cara certo.
E não entenda isso, por favor, como arrogância.
Nem pelo meu senso crítico tal pensamento pairou
Assim como o que sinto em relação a você.
Ambos apenas habitaram em mim e nem me perguntarem se poderiam ficar
Não posso tirar da cabeça o que não sai do coração.
Acredite, se pudesse certamente o teria feito.
Você não me muda nem me transforma, repito, me corrobora
Não deixo de ser eu, muito pelo contrário; poucas foram as vezes que me senti tão em mim.
Não nego que por vezes o medo assim como o orgulho me impedem a transgredir certos limites hipoteticamente, suponho, delimitados entre nós.
Interessante é que dizem os paradigmas sociais que no “amor” alguém sempre sofre mais
Acredito que nesse “nosso caso” eu seria o dito cujo sofredor
E o mais interessante e espantoso
Eu não me importo! Porque mais que sofrer é a felicidade de lutar por algo, ou alguém que se quer bem
Deixe-me aprender com a "dor".
Não faço isso por você, faço por mim,ao menos acredito que assim o seja
E confesso que você é a causa primaria motivadora de tudo isso.
Você é especial, não tenho dúvida. Quero que você se reconheça assim, se ficar comigo, ótimo! Caso não, não quero nem pensar.
Para mim tal pensamento é inexistente. E espero estar certo.
Entretanto, peça-me outra coisa, essa não farei.
Quem dera ser indiferente, como outrora fora
Não lhe quero para mim, quero-lhe bem.
E pode até parecer loucura, mas penso ser eu o melhor para você
De tal forma a não tentar me mudar de modo algum, pois já penso, certo ou errado, que sou o cara certo.
E não entenda isso, por favor, como arrogância.
Nem pelo meu senso crítico tal pensamento pairou
Assim como o que sinto em relação a você.
Ambos apenas habitaram em mim e nem me perguntarem se poderiam ficar
Não posso tirar da cabeça o que não sai do coração.
Acredite, se pudesse certamente o teria feito.
Você não me muda nem me transforma, repito, me corrobora
Não deixo de ser eu, muito pelo contrário; poucas foram as vezes que me senti tão em mim.
Não nego que por vezes o medo assim como o orgulho me impedem a transgredir certos limites hipoteticamente, suponho, delimitados entre nós.
Interessante é que dizem os paradigmas sociais que no “amor” alguém sempre sofre mais
Acredito que nesse “nosso caso” eu seria o dito cujo sofredor
E o mais interessante e espantoso
Eu não me importo! Porque mais que sofrer é a felicidade de lutar por algo, ou alguém que se quer bem
Deixe-me aprender com a "dor".
Não faço isso por você, faço por mim,ao menos acredito que assim o seja
E confesso que você é a causa primaria motivadora de tudo isso.
Você é especial, não tenho dúvida. Quero que você se reconheça assim, se ficar comigo, ótimo! Caso não, não quero nem pensar.
Para mim tal pensamento é inexistente. E espero estar certo.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Peço
Peço a Deus que quando eu não estiver por perto ele te proteja
Não deixe ninguém te machucar ou fazer-te chorar, e caso aconteça que haja sempre alguém que te console, assim como eu faria.
Peço que o mal não te toque e nem se aproveite de sua carência, pois, seu carinho é sagrado
Que a tua luz brilhe sempre, mesmo que nem todos possam vê-la,
Que tua palavra seja sempre ouvida, ao menos.
Peço que ninguém te dê as costas, pelo contrário, que haja sempre uma mão estendida em sua direção para que você nunca pense estar sozinha
Que seu sorriso seja percebido pelos tristes
Que teus olhos não se fechem rente a escuridão ( que sempre haja luz... A sua luz)
Peço que você não viva a solidão de procurar pela própria alma
Que suas dúvidas não lhe deixem erros irreparáveis (ao menos nessa vida)
Que você não engane a ninguém, muito menos a si mesma
Peço que tua bondade se expanda sem medo nem receio
Que tua alegria se propague e seja compreendida
Que teu carinho e amor sejam reconhecidos
Que a ignorância se afaste para que a vida te envolva em luz
Peço a Deus que quando eu não estiver por perto você esteja segura e feliz
Entretanto, uma das coisas que mais peço é que não me deixe longe por muito tempo
E que quando eu estiver nunca lhe falte amor, assim como eu, em minha ignorância, luto para que não falte.
Não deixe ninguém te machucar ou fazer-te chorar, e caso aconteça que haja sempre alguém que te console, assim como eu faria.
Peço que o mal não te toque e nem se aproveite de sua carência, pois, seu carinho é sagrado
Que a tua luz brilhe sempre, mesmo que nem todos possam vê-la,
Que tua palavra seja sempre ouvida, ao menos.
Peço que ninguém te dê as costas, pelo contrário, que haja sempre uma mão estendida em sua direção para que você nunca pense estar sozinha
Que seu sorriso seja percebido pelos tristes
Que teus olhos não se fechem rente a escuridão ( que sempre haja luz... A sua luz)
Peço que você não viva a solidão de procurar pela própria alma
Que suas dúvidas não lhe deixem erros irreparáveis (ao menos nessa vida)
Que você não engane a ninguém, muito menos a si mesma
Peço que tua bondade se expanda sem medo nem receio
Que tua alegria se propague e seja compreendida
Que teu carinho e amor sejam reconhecidos
Que a ignorância se afaste para que a vida te envolva em luz
Peço a Deus que quando eu não estiver por perto você esteja segura e feliz
Entretanto, uma das coisas que mais peço é que não me deixe longe por muito tempo
E que quando eu estiver nunca lhe falte amor, assim como eu, em minha ignorância, luto para que não falte.
sábado, 4 de setembro de 2010
E Ao Amor
Ao amor digo palavras,
ao coração dito escrituras
mesmo sem ter poder á altura
o que mais posso fazer
a não ser escrever num papel vazio
o vazio de minhas palavras simultaneamente soltas e presas a meus pensamentos?
(Oposto de meus sentimentos)
Sem dor, sinto calor
Despojo-me ao vento
E então, caiu do céu como um anjo desfalecido
deito na areia do deserto
Dói a perda do meu sol
Converso abatido com meu coração
que não, não me dá perdão
O sol que não me queimava
tornou-se aura subversiva
e como uma verdadeira quimera, habito agora o mundo das incertezas
A solidão de ter me perdido mostrou-me caminhos
os quais toda a maestria da pureza cairia em perdição
restando-me areia, barro e pó
teu nome escrito com borracha pelas linhas de meu destino, só.
E ao amor, não digo mais nada.
ao coração dito escrituras
mesmo sem ter poder á altura
o que mais posso fazer
a não ser escrever num papel vazio
o vazio de minhas palavras simultaneamente soltas e presas a meus pensamentos?
(Oposto de meus sentimentos)
Sem dor, sinto calor
Despojo-me ao vento
E então, caiu do céu como um anjo desfalecido
deito na areia do deserto
Dói a perda do meu sol
Converso abatido com meu coração
que não, não me dá perdão
O sol que não me queimava
tornou-se aura subversiva
e como uma verdadeira quimera, habito agora o mundo das incertezas
A solidão de ter me perdido mostrou-me caminhos
os quais toda a maestria da pureza cairia em perdição
restando-me areia, barro e pó
teu nome escrito com borracha pelas linhas de meu destino, só.
E ao amor, não digo mais nada.
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